4.3.09

1.3.09

20.02.2009

o pai olhou-a e virou-lhe as costas. desandou. percorreu um outro caminho que não o dela. subiu os degraus. não olhou. não hesitou. não olhou para trás.
-adeus. - pensou ela em silêncio. sempre em silêncio.e do outro lado não houve resposta.

11.6.08

é só o nada a bater à porta

os anos passam. outros tantos hão-de passar. o tempo começa a deixar de ser refém da memória. os sorrisos deixam de ter certeza e as palavras deixam de ser eternas. os lugares parecem cada vez mais mal situados. [sítios fora dos mapas] as pedras já estão fora do chão [fronteiras por invadir] caminhos barricados. atalhos sufocados. negação das estratégias. esconderijos perdidos.

8.6.08

começo a duvidar que existas além de mim. não te sinto cá fora. o que me continua a incomodar, não é teres partido. o que me incomoda é teres deixado a ausência. porque não houve corte. a linha é continua, sem início ou fim. e passam-se anos, sem se passar nenhum. antecipo a tua ausência, até à clara certeza de algo ter morrido.

25.4.08

ela fixa os olhos no vazio. quatro anos depois, continua à espera que ele chegue. e sorria. dirá (talvez) que teve saudades e olhará para ela em silêncio. sem nada para dizer, ou para acrescentar.

1.2.08


F I M

o piano é música de fundo. as quatro paredes que a cercam tornam-se cada vez mais apertadas e o ar quase irrespirável aumenta o sufoco. o que doí? porque chora? porque é que tudo é tão difícil? para quando um acordar sem medos, sem receios, sem horários definidos? dizem que os anos ensinam muita coisa que os dias desconhecem, dizem mas ela defende que é mentira. o tempo vai passando, tudo continua na mesma ou ainda pior, os erros não diminuem, as lições tornam-se cada vez mais duras e a alma, essa fica cada vez mais apagada. o limite. o escuro. a solidão. e ela não compreende. não entende e não aceita porque custa, porque dói, porque sofre. o sorriso não sai, o rosto entristece e os dias não são dias. são minutos que vão passando. e depois há aqueles rostos que ela tem medo de esquecer. rostos de pessoas que marcam e que partem. rostos, simplesmente rostos. e ela grita, mas ninguém ouve, não há voz suficiente para as palavras saírem. hoje já não lhe apetece pensar mais, nem sorrir, nem chorar. está cansada. o mundo caiu. amanhã há que reconstruí-lo outra vez. de novo. sozinha. como sempre.

30.1.08

sem depois, porque não há regresso.
sem ontem, porque aconteceu.
sem amanhã, porque não volta a acontecer.

e ela não quer este quase. este meio que não acaba.